Os participantes acompanharam um ciclo de palestras abordando os fenômenos da consciência humana e suas interações interdimensionais.
Nesta quinta-feira, 23 de outubro, ocorreu o segundo dia da edição comemorativa dos 25 anos do Fórum Mundial Espírito e Ciência, da LBV. Na ocasião, pudemos acompanhar um ciclo de palestras abordando os fenômenos da consciência humana e suas interações interdimensionais.
A transmissão teve início às 19 horas, diretamente do Salão Nobre do Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica — o ParlaMundi da LBV —, em Brasília/DF, e contou com a participação de cinco renomados palestrantes. O evento foi realizado on-line, com tradução simultânea para a Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Confira alguns destaques das palestras:
A mediunidade como objeto de estudo científico
Iniciando o ciclo de palestras, o Fórum recebeu Stephen Braude, filósofo e parapsicólogo norte-americano, referência internacional em pesquisas sobre mediunidade e fenômenos psi, para falar sobre o tema “A mediunidade como objeto de estudo científico”.
Na ocasião, Stephen explicou a mediunidade e a psicocinese, destacando a diferença entre micro-psicocinese (estudos laboratoriais com efeitos pequenos) e macro-psicocinese (fenômenos físicos impressionantes observados fora do laboratório, como levitações e materializações).
Ele diferenciou ainda mediunidade mental e mediunidade física: “(…) Temos a mediunidade mental, quando o médium transmite — ou parece transmitir — mensagens de outras entidades, geralmente amigos ou familiares já falecidos. E temos a mediunidade física, quando o médium parece canalizar fenômenos físicos, como movimentar objetos ou produzir materializações (…)”, explicou.
Abordando o estudo científico da mediunidade, Stephen Braude deixou claro que habilidades humanas complexas dependem do contexto natural para se manifestarem plenamente: “(…) há muitas habilidades humanas que conseguimos identificar e observar em situações reais, mas que não conseguimos reproduzir com sucesso no laboratório sob condições rígidas. Pense, por exemplo, na sensualidade ou na compaixão. (…)”
Em sua palestra, o filósofo também trouxe casos históricos de fenômenos físicos, como o de Daniel Dunglas Home, ou D. D. Home — um médium do século XIX que não foi pego em fraudes e produziu levitações, materializações, mãos materializadas, manipulação de brasas e instrumentos musicais, fenômenos muitas vezes além da capacidade tecnológica atual.
Genética e comunicação interdimensional
Em seguida, acompanhamos a palestra de Marianna de Abreu Costa, psiquiatra, e Angélica Salatino-Oliveira, geneticista, ambas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), sobre o tema “Genética e comunicação interdimensional”.
Na ocasião, elas apresentaram uma pesquisa desenvolvida pelo Núcleo de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde da Universidade Federal de Juiz de Fora (NUPES), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), que investigou a mediunidade sob uma perspectiva científica e biológica.
LEIA A PESQUISA NA ÍNTEGRA
Buscando compreender se a mediunidade está relacionada a algum tipo de transtorno mental ou se constitui uma experiência espiritual saudável, chegou-se à seguinte conclusão: “(…) O primeiro dos frutos, então, do nosso trabalho foi reconhecer como é que essas pessoas [médiuns] são clinicamente, porque tem uma discussão, na área científica, se a mediunidade — o fenômeno da mediunidade — representa um transtorno mental ou não. Hoje, já está bem claro que mediunidade é diferente de transtorno mental (…)”, ressaltou Marianna.
As palestrantes também trouxeram análises genéticas que foram realizadas com médiuns, identificando variantes raras em genes ligados à resposta imune e à integridade celular, que podem indicar pistas biológicas associadas à sensibilidade espiritual: “(…) Esses genes, essas interações, essas proteínas, essas variações que nós analisamos — na verdade, o que podemos dizer é que são candidatos muito importantes e promissores para investigações futuras sobre os fundamentos biológicos que podem possibilitar essas experiências espirituais que nós estamos estudando, como a mediunidade (…)”, destacou Angélica.
As pesquisadoras ainda ressaltaram que essa investigação se trata de um estudo pioneiro e exploratório, cujos resultados devem ser aprofundados por futuras pesquisas, reafirmando a importância de estudar a mediunidade de forma ética, científica e interdisciplinar, reconhecendo-a como uma experiência humana complexa e saudável.
A mediunidade na Codificação Espírita
Prosseguindo com o ciclo de palestras, o Fórum recebeu Jorge Godinho, presidente da Federação Espírita Brasileira (FEB), para falar sobre o tema “A mediunidade na Codificação Espírita”.
Na oportunidade, ele ressaltou que a mediunidade é natural ao ser humano e se manifesta como instrumento de aperfeiçoamento moral e espiritual:
“(…) A mediunidade é uma faculdade natural. Ela aparece e surge na época apropriada. Ela é definida antes do nascimento, no planejamento reencarnatório de cada indivíduo. Também pode revelar-se em qualquer lugar — no centro espírita, em casa, em templos de quaisquer denominações religiosas, [na pessoa] materialista; independentemente do credo ou da condição em que a pessoa se encontra ou daquilo que ela abraça como crença ou como fé (…)”, ressaltou.
Jorge Godinho apresentou os diversos tipos de fenômenos mediúnicos, lembrando exemplos históricos e contemporâneos de médiuns que colocaram sua sensibilidade a serviço do bem, como Chico Xavier (1910-2002) e Divaldo Franco (1927-2025). Também reforçou que a mediunidade é uma dádiva divina, jamais um meio de obtenção de lucros ou vaidade pessoal. Seu exercício requer estudo, disciplina, humildade e caridade, fundamentos que conduzem à verdadeira reforma íntima.
A ação do Espírito Santo como conexão entre Céu e Terra
Finalizando o ciclo de palestras, acompanhamos a palavra de Dom Maurício Andrade, bispo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. Na ocasião, ele falou sobre o tema “A ação do Espírito Santo como conexão entre Céu e Terra”.
Durante sua palestra, ele apresentou a trajetória da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), fundada em 1890, destacando seu caráter missionário, inclusivo e ecumênico. Ele também explicou que o Espírito Santo é a força divina que une as pessoas em amor e serviço, impulsionando à superação do medo e à prática do bem: “(…) o Espírito Santo é o elo, o elo divino que une o céu e a terra em amor e serviço (…). Numa perspectiva cristã ecumênica e inter-religiosa, o Espírito Santo, na chamada teologia cristã, é a terceira pessoa da Trindade e atua como vínculo dinâmico — como diz o livro de Atos dos Apóstolos: é ventania, é movimento. Então, o Espírito Santo é vínculo dinâmico e vital entre o céu e a terra. E a sua ação transcende qualquer âmbito individual. Ele, o Espírito Santo, nos usa através de nós, mas a sua ação, ela transcende o âmbito individual, impulsionando as pessoas fiéis nas comunidades e nas igrejas a um compromisso profundo com o serviço ao próximo e com a vivência do amor (…)”, destacou.
Encerrando, reforçou que o Espírito Santo é universal e integrador, atuando como ponte entre diferentes crenças e povos. Ao acolhermos Sua presença, tornamo-nos elos vivos entre o Céu e a Terra, instrumentos do Amor Divino, que transforma o mundo.
SOBRE O EVENTO

Criado em 2000 pelo presidente da Legião da Boa Vontade, o jornalista e escritor José de Paiva Netto (1941-2025), o Fórum Mundial Espírito e Ciência, da LBV, visa estimular a implementação de propostas no campo pragmático das realizações da sociedade civil, trazendo as contribuições das diversas áreas do saber espiritual e humano para a construção de uma sociedade mais solidária, altruística e ecumênica.
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